terça-feira, 26 de maio de 2009

Congresso Brasileiro de Extensão Universitária - CBEU

Nos dias 27 a 30 de abril de 2009, em Dourados/MS, foi sediado pela Universidade Federal da Grande Dourados o 4º Congresso Brasileiro de Extensão Universitária. A FURB participou do evento com 17 trabalhos apresentados.

Abaixo você poderá compartilhar das impressões e experiências vividas por uma das representantes da FURB no evento.

"Olá, sou Jeice, pesquisadora do Mestrado em Educação da FURB. Porém, acima de tudo, considero-me uma eterna extensionista. Deixei de ser bolsista do Programa de Extensão coordenado pelo professor Osmar de Souza, mas a extensão não me deixou, ela ficou em mim [...] O que falar sobre o CBEU? Difícil é falar em poucas linhas, pois foi intensa a experiência, e diversas foram as percepções. Vou tentar resumir.

Começo pelo que mais me chamou a atenção: a participação dos extensionistas nas discussões (extensionistas = alunos-extensionistas). Na primeira mesa-redonda, quando a voz foi dada à platéia, apenas uma (ex) extensionista se apresentou, entre um gigantesco número de pró-reitores e coordenadores de Programas/Projetos de extensão. Pensei: é o tema da mesa, só pode! Contudo, em outra mesa da qual participei, também não apareceram. Finalmente, na mesa-redonda da/sobre a extensão popular, poucos da platéia não se apresentaram como extensionistas.

Na Tenda Paulo Freire (não divulgada oficialmente, no site, impossibilitando inscrição antecipada), estavam os extensionistas novamente, em número maior ainda. E, surpresa! Eles falam!!! Discutem, argumentam, têm incertezas, dúvidas, envolvem-se intensamente, falam sobre a relevância do que fazem e como as experiências são/foram transformadoras!

Senti falta da promoção de espaços em que houvesse a comunicação dos participantes dos “dois contextos”. Parecia (minha impressão) haver uma diferenciação dos que “fazem extensão” e dos que “pensam sobre extensão” (não que as duas coisas não se completem, mas LÁ, pareciam não se “comunicar”). Não que o aluno não tenha sido lembrado. A professora Ney Cristina Monteiro de Oliveira (dona da fala que mais me encantou) disse com os olhos brilhando: “se tem uma coisa que eu sempre repito, é que o extensionista é o melhor aluno”. Quando fui ver o Currículo Lattes, vi que toda a formação “pós-graduação” dela foi em educação (o que explica muita coisa).

Imagine a confusão de uma extensionista/pesquisadora ou pesquisadora/extensionista: “a qual dos discursos dou prioridade neste evento?”, “qual dos dois persigo?”. Tentei equilibrar a presença nos dois contextos. E, graças à tecnologia, consegui “estar em dois lugares”. Algumas mesas-redondas e oficinas foram gravadas por amigos que fiz no ônibus (grandes pessoas), por isso, consegui ouvi-las posteriormente.

Todos os extensionistas com os quais conversei eram tão diferentes e, ao mesmo tempo, algo em comum me encantava: o esforço. Lembro de uma moça que subiu no palquinho externo chamado “espaço alternativo” (os nomes não são dados à toa) que relatou: “viajamos mais de 35 horas num ônibus sem banheiro e só com o dinheiro do próprio bolso, a instituição não quis nem saber”.

No tal “CbeBEU” (uma confraternização em um barzinho, da qual tive de participar devido ao inteligentíssimo título – só por isso, óbvio – isso foi irônico, óbvio), vi meninos e meninas fazendo amizade para encontrar lugar para dormir: “oi, tudo bem, podemos ser amigos? Sim? Então, posso dormir com você?” (apesar de parecer, não era cantada, era por necessidade mesmo).

Em resumo (até onde pude perceber), os espaços de discussões dos alunos foram o tal palco “espaço alternativo”, a Tenda Paulo Freire, as apresentações de trabalho, o CbeBEU e a fila para o almoço (gigantesca, por sinal). As mesas-redondas (sem contar a da extensão popular) pareciam espaços mais de escuta, e não de participação nos/dos discursos.

Parabenizo a FURB e a UFSC pela contribuição com o transporte. Não sei quanto aos outros, mas uma das integrantes do ônibus (eu) nunca mais será a mesma: a paixão pela extensão me pegou de jeito. E, principalmente, a minha admiração e meu respeito aumentaram pela flexibilidade, jogo de cintura e força criadora/criativa de um povo, a meu ver, pouco escutado: os (alunos) extensionistas. Dizem que a juventude brasileira, depois dos “caras-pintadas”, está meio morta. Quem diz isso não foi ao CBEU e, provavelmente, não conversou/conversa com (empenhados) extensionistas."

Jeice Campregher

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